História (AEP)

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O Princípio

A fundação do primeiro Grupo de Escoteiros em território português ocorreu em Macau, em 1911, por iniciativa do então Tenente Álvaro de Mello Machado, governador do território. O seu conhecimento da existência do Escotismo e do seu potencial, adveio da proximidade de Hong-Kong, onde já havia também Grupos de Escoteiros. É o próprio governador de Macau quem afirma, “- Como eu era governador de Macau, protegia muito os rapazes. Pessoa que ali caía eu dizia-lhe logo: – Você tem de me ajudar nos Escoteiros! – Arranjei-lhes material e barracas e outras coisas”. Com a colaboração da filha do comissário da alfândega chinesa, foram constituídas duas Patrulhas de Escoteiras e duas de Escoteiros, surgindo assim o primeiro Grupo de Escoteiros Portugueses, devidamente uniformizados e organizados.

Regressado a Lisboa em 1912, Álvaro de Mello Machado empenha-se na formação de um Grupo de Escoteiros na capital, que viria a ser o 2º Grupo da AEP, pois entretanto na ACM surgira também um Grupo de Escoteiros, o que viria a ser o 1º Grupo da AEP.

Entretanto é dada uma grande divulgação aos “scouts” pelo jornal “O Século” que, desde 9 de Agosto de 1912, começou a publicar regularmente artigos sobre “scouting”, dando a conhecer o seu método e objectivos e apelando ainda à constituição de Grupos de Escoteiros em liceus e escolas. Não há certezas mas será provavelmente neste contexto que surge um Grupo de Escoteiros no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa. O pintor Carlos Botelho foi um dos seus fundadores e afirma que o Grupo era “muito eclético, curioso, de expressões diferentes no que respeita a ideias, atitudes e até no pensamento religioso, pois tínhamos ali rapazes católicos, protestantes, neutros (entre os quais eu me situava) e tínhamos até um israelita… e todos se davam às mil maravilhas”. Este Grupo é referido em artigo publicado em 7 de Setembro de 1912 no já mencionado jornal “O Século”.

Frank Giles, fundador do Grupo da ACM dizia manter contactos com Grupos do Porto e de Coimbra. Há também relatos da existência de um Grupo em Olhão que teria sido formado por Amâncio Salgueiro Júnior. É possível que tenham existido outros Grupos neste período (1912) mas não há registos fidedignos das suas actividades.

Fundação da AEP

O Tenente Álvaro de Mello Machado, o Doutor Sá de Oliveira, Reitor do Liceu Pedro Nunes, e Roberto Moreton, Presidente da ACM, responsáveis pelos três primeiros Grupos de Lisboa, decidem juntar esforços e constituir-se em Associação e, em 6 de Setembro de 1913, é formalmente constituída a Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP), a mais antiga Associação Escotista Portuguesa.

A partir de então muitos outros Grupos se filiaram na AEP: o Grupo 4 de Torres Vedras, o Grupo 5 da Escola Normal, ao Calvário (Lisboa), o Grupo 6 que derivou do 2º Grupo, o Grupo 7 da União Cristã de Jovens (Lisboa), o Grupo 8 de Faro, o Grupo 9 da Rua da Madalena (Lisboa), o Grupo 10 no Palácio do Governador (Lourenço Marques,… No Norte do país funda-se o Grupo 18 no Colégio dos Órfãos de S. Caetano, em Braga, o Grupo 26 na Rua de Sá da Bandeira, no Porto. O primeiro Grupo feminino foi fundado em 1916 e recebeu o número 28.

Viviam-se então os tempos da Primeira República e os actos heróicos dos Escoteiros de Portugal eram profusamente relatados nos jornais da época. Destacam-se a revolução de 14 de Maio de 1915, com os Escoteiros a prestarem apoio aos muitos feridos, o incêndio do Arsenal da Marinha, em 18 de Abril de 1916, durante o qual os Escoteiros de Portugal ajudaram a salvar grande parte do valioso espólio da instituição, o que foi muito elogiado. O “Diário de Notícias” escrevia a propósito “os simpáticos Escoteiros, sem olhar ao perigo, entravam e saíam da Escola Naval, carregando livros, móveis e outros objectos”. Os Escoteiros de Portugal receberam depois agradecimentos formais do Ministério da Marinha e das autoridades navais.

Em Junho de 1916, o Presidente da República, Dr. Bernardino Machado, aceita a presidência honorária da AEP, passando a haver um reconhecimento formal do Governo em relação à Associação Escotista Portuguesa. Em 10 de Maio de 1917, o decreto 3120 – B consigna que “… esta Associação é considerada benemérita e de beneficência para os efeitos de contribuições, impostos e franquia postal”. Em 1919, por proposta da AEP, o Governo de Portugal atribuiu a Comenda da Ordem Militar de Cristo a Lord Baden-Powell, Fundador do Escotismo.

Em 1920, realiza-se em Olympia, Londres, o primeiro acampamento mundial (Jamboree) e os Escoteiros de Portugal marcam também presença com 11 elementos, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros atribuído passaportes diplomáticos a estes representantes da AEP. Em 1924, realiza-se o segundo acampamento mundial, desta vez na Dinamarca, e a segunda Conferência Internacional do Escotismo. Mais uma vez Portugal está representado por elementos da AEP. Em 1925, realiza-se na Câmara Municipal de Lisboa, a primeira Conferência Nacional do Escotismo, organizada pela AEP. Em 1927, com início em 13 de Agosto, realiza-se, em Queluz, o primeiro acampamento nacional que regista a presença de Grupos de Lisboa, Porto, Coimbra, Figueira da Foz, Algarve, Oliveira de Azeméis, Seixal, Torres Vedras e Torres Novas.